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segunda-feira, 13 de outubro de 2014
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
O Amor na Terapia - Sessão 5: Você recebeu alta, vá sonhar acordada
Naquele
dia, que seria a quinta sessão de terapia, ela acordou com a sensação de que
muito tempo havia se passado.
O
tempo é relativo, diria o terapeuta. Pôde ouvir direitinho sua voz ao soltar
aquela frase. E de fato era. Mas na verdade o tempo lhe pareceu ter passado
mais rápido.
Tanto
que sentiu até uma certa afeição por seu terapeuta.
Não
sexualmente falando, mas sim de um jeito diferente. Ele já fazia parte da sua
rotina.
Sentia
prazer em arrumar-se para ir na terapia.
Não
sabia dizer o quanto estava funcionando, ou se realmente estava, mas precisava
continuar.
Havia
acordado de tão bom humor que pensou em levar uma flor para a recepcionista, a
senhorinha. Para o terapeuta não seria de bom tom, e nem profissional da parte
dele aceitar.
No
dia anterior, a senhorinha havia ligado para antecipar a consulta, pois o
terapeuta teria um compromisso no horário em que costumava lhe atender.
“Tudo
bem, sem problemas!”
E
assim foi. Como sairia mais cedo, daria
tempo de um happy hour com as amigas, as quais toda semana perguntavam como
estava a terapia.
Nunca
tinha muito o que dizer.
Mas
queria beber alguma coisa, conversar.
Queria
contar que ainda não havia marcado o novo encontro com o tal homem, mas que
estava decidida a não deixar passar.
E
isso seria um dos pontos da sessão de hoje.
No
consultório, entregou a flor para a senhorinha. Pela reação, nunca nenhum
paciente havia feito tal gesto.
Ela
agradeceu, ruborizada, e pediu que aguardasse enquanto o paciente anterior não
saísse.
Havia
música ambiente.
Era
uma dessas rádios de elevador. E notou que havia umas revistas na mesinha de
centro.
Revistas
velhas de fofoca.
Se
viu inundada por um ambiente tão chichê que sentiu um certo medo.
Era
como se estivesse sendo forçada a sair daquela zona de conforto que era uma
situação conhecida. Pensou isso, e riu, era como um terapeuta questionaria,
talvez.
O
paciente anterior saiu. Percebeu que era a primeira consulta, pois o olhar
estranho era o mesmo que o seu naquele dia, cinco semanas atrás.
“Pode
entrar”, disse a senhorinha.
Estranhou
ele estar usando uma camisa que não fosse a xadrez em cores. Vestia uma camisa
azul-marinho, um tanto formal. E usava sapatos Oxford. Digno de post de blogs
de moda, pensou.
-
Vamos começar. Você tem dormido bem?
Perguntou
ele.
-
Sim. Mas por quê?
-
Quero saber se o seu sono tem sido satisfatório, se você tem sonhado durante
ele.
-
Ah... as vezes sim. Digo, sobre os sonhos. Por que tenho dormido até que bem.
Às vezes demoro para pegar no sono, mas... espera, você não vai querer
interpretar meus sonhos, né? Porque isso eu descubro comprando uma revistinha
na banca ou pesquisando na internet.
Ele
continuou em silêncio, e a expressão dura deixou-a tão desconcertada que sentiu
seu corpo congelar.
Continuou
falando.
-
Enfim, eu... eu tenho dormido bem, e também sonhado.
-
Você devia sonhar acordada, não dormindo. E não, eu não iria analisar seus
sonhos. Embora, na psicanálise, costumamos dizer que dentro de cada um de nós
há um outro que se comunica pelos sonhos. Jung.
-
Quê?
-
Nada.
Silêncio.
Ele
anotou alguma coisa e disse.
-
Você deveria sonhar mais acordada. Sim. Porque a gente sempre pressupõe que o
sonho durante o sono é uma bobagem aleatória. O sonho em estado desperto, eu te
digo, é o que vai mexer seu corpo pra conquistar isso.
Ela
achou aquilo um tanto parecido com as mensagens dos livros estilo minuto de
sabedoria, mas tinha um fundo de verdade.
-
Você não é do tipo que costuma sonhar e projetar as coisas. Você é do tipo que
senta no sofá assistindo Supercine desejando as coisas, mas com aquele misto de
autopiedade que faz com que seja sempre a vítima. Você tem muitas qualidades,
mas as anula com receio de que os outros vão achar inferiores. Você é tímida
demais, e isso não é um problema de fato, mas os outros acabam vendo como um
ponto negativo, como falta de interesse, toda vez que você fica calada, mas no
fundo querendo expressar um universo inteiro. A vida, minha querida, a vida
corre e galopeia que nem um cavalo xucro. A vida passa e o dia de hoje será
mais esquecido que a carreira da artista que hoje você cultua. A vida é um meme
que nasceu hoje pra ser inutilizado amanhã. A vida é uma maionese estragada que
se você comeu depois de passar do ponto, vai sofrer e quem sabe morrer. A vida
é uma xícara de café que se você esquece de beber, esfria e fica insuportável.
Querida, a vida é aquele cupcake que você vê na vitrine da padaria e fica
morrendo de vontade de comer, mas quando morde descobre que é seco. Mas é assim
mesmo, se não o comesse, não saberia. A vida às vezes tem um gosto seco mesmo.
A vida é como um relatório de desempenho no trabalho. Você odeia ter que
relembrar certas partes, mas apontar os pontos ruins e positivos é bom para um
resultado melhor no futuro. Por isso tenha em mente, querida, que você precisa
preparar seu relatório. E nesse caso, pensar no que vale a pena.
Ela
ficou estupefata.
Abobalhada
mesmo. Todas aquelas palavras saíram como tiros de metralhadora.
“Acabei
de levar um tiro aqui dentro do consultório”, pensou.
Achou
que ele fosse meio maluco, mas as palavras faziam tanto sentido que não ousou
reclamar.
Ela
olhou pela janela e um vento fraco movimentava as árvores. Sim, ela usou esse
cenário para imaginar a cena de um filme qualquer. Desses que ela via no
Supercine se martirizando.
E
por isso mesmo resolveu apertar o stop desse filme. E disse.
-
Eu tenho sonhado muito acordada. Tenho sonhado com esse homem que quer sair
comigo, tenho sonhado acordada com muitas coisas que vão mudar a minha vida em
um longo prazo. Tenho sonhado acordada em me olhar no espelho e ver uma outra
mulher dentro da mesma mulher. Tenho sonhado acordada com os períodos de
solidão que sempre me colocaram tanto medo. Tenho sonhado acordada em
participar da próxima sessão dessa terapia. Tenho sonhado acordada com os dias
de verão que eu não vá reclamar tanto do calor. Tenho sonhado acordada com uma
bateria de celular que dure mais tempo. Tenho sonhado acordada com o livro que
vou retomar a leitura. Tenho sonhado acordada com o relógio fora da gaveta.
Tenho sonhado. Apenas.
Ele
ouvia tudo com atenção, e sem anotar nada.
Parecia
ele o paciente curioso. Ela, a terapeuta o fazendo pensar.
Ficaram
os dois em silêncio por cerca de dez minutos. Longos dez minutos.
Ela
não tinha mais a sensação de precisar falar, mas sim a de que tudo tinha sido
dito na hora certa.
E
como se escutasse os seus pensamentos – talvez pudesse – ele falou:
-
Estou te dando alta. Pode ir.
Ela
achou um tanto absurdo, inesperado. Foram apenas cinco sessões.
Cinco
sessões que haviam mexido com muitas coisas, era bem verdade.
Soltou
outro de seus suspiros infantis, daqueles que estremecem as bochechas,
levantou-se e apertou sua mão. Iria acertar a conta com a senhorinha.
E
assim como qualquer outro paciente, ela fechou a porta, para nunca mais ser vista.
Era
agora um momento que nenhum de seus pacientes conhecia.
Ele
foi até a gaveta e pegou o relógio. Estava de fato estragado.
No
seu celular, o horário informava que estava quase na hora de seu compromisso.
*Notificação
de mensagem*
Era
uma SMS. Uma mensagem que lhe doeu ler. Porque, quando se trata de um
rompimento de amor recente, pequenas palavras, mesmo sem a intenção, acabam
destrinchando uma ferida que tenta coagular o sangue.
Respirou
fundo e saiu. Essa SMS seria mais um tópico a discutir na sua sessão de
terapia. De fato, era o amor na terapia. Ou a falta dele.
FIM
_____________________________
P.S.:
Obra ficcional. O objetivo não é proporcionar nenhum tipo de diagnóstico. Em
casos de algum problema, procure um profissional habilitado. :D
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O Amor na Terapia
O Amor na Terapia - Notas de Terapia: Sessão 4
___________
P.S.: Obra ficcional. O
objetivo não é proporcionar nenhum tipo de diagnóstico. Em casos de algum
problema, procure um profissional habilitado. :D
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quinta-feira, 9 de outubro de 2014
O Amor na Terapia - Sessão 4: A ditadura da razão
O
decorrer dos dias entre uma sessão e outra só foi possível de aguentar por
conta das muitas xícaras de café que ela tomou.
Ela
respondeu a mensagem do homem perfeito. Disse que aceitava sim, mas precisava
de uns dias pra acalmar a situação no trabalho. Ele concordou, aparentemente
animado.
Porem
a verdade era que só queria adiar aquele encontro. O máximo que pudesse.
E
percebeu que era de fato um relógio com a pilha fraca. Estava quase emudecendo
o seu tic tac no fundo de uma gaveta.
Diria
isso durante a terapia.
“Nossa
como estou falante”, pensou.
Estava
sentada na salinha de espera branca olhando os quadros de pintores famosos reproduzidos
na parede e com a sensação de que pudesse ser, talvez, um caso perdido. Talvez
nunca fosse receber alta.
-
Ele está lhe aguardando, pode entrar.
Falou
a senhorinha recepcionista.
E
entrou. Ele, claro, com a mesma camisa xadrez colorida.
Desligou
o celular e sentou-se. E diferentemente dos outros dias, desatou a falar.
Contou sobre o que respondeu na mensagem. Ele olhando-a fixamente, parando de
vez em quando para escrever no seu bloquinho.
-
Por que, ao invés de adiar o encontro, você não cancelou de vez? Não seria mais
prático para você?
Disse
ele.
E
ela não soube responder.
Imaginou
novamente que fosse o caso do relógio. Escondida, porém querendo ser notada.
Comentou
que havia falando sobre isso com as amigas, e que toas diziam que deveria estar
louca, o tal homem era incrível, maravilhoso e etc, que havia perdido a noção
das coisas.
-
Acho que todas elas tem razão.
Ela
disse, soltando um suspiro infantil, desses que estremece as bochechas.
-
Pois não existe razão. O que acontece é que as pessoas vivem numa ditadura da
razão, como se existisse um padrão de comportamento. Tem gente que é um relógio
de pulso, tem gente que é um relógio de parede, tem gente que é um relógio de
celular. Todos trabalham e atuam de formas diferentes.
-
Mas com um objetivo igual. Isso não seria um padrão?
Ela
o questionou. E isso o incomodou um
pouco.
-
Sim. Por um objetivo igual, mas nunca de forma igual.
E
ela ficou pensando. Sendo assim, não era louca como as amigas disseram. Medrosa
sim, mas louca não.
E
isso a deixou aliviada. Um problema a menos para resolver.
E
chegou o momento de silêncio. Aproveitou para relembrar do homem. Tão lindo...
teve vontade de ligar pra ele ali mesmo, mas a imagem das câmeras sendo
reveladas novamente lhe veio na mente e ficou paralisada.
Ele
percebeu sua angústia, pois anotou coisas freneticamente no bloco.
Ficou
preocupada.
De
repente, era como se sua vida pudesse ser retratada em simples traços num bloco
de terapeuta. Tão vazia que poucas folhinhas seriam o suficiente.
“Queria
poder preencher mais algumas folhas.”
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casos de algum problema, procure um profissional habilitado.
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O Amor na Terapia - Notas de terapia: Sessão 3
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quarta-feira, 8 de outubro de 2014
O Amor na Terapia - Sessão 3: O relógio escondido
Ela
passou a semana toda pensando naquela metáfora do relógio.
Aliás,
aquele terapeuta adorava metáforas. Não curtiu muito ser o relógio escondido na
gaveta. Odiava escuridão. Mas talvez ela fosse um relógio que se esconde
sozinho, fazendo o seu tic-tac pra ser notada de alguma forma.
“Nem
era isso”, pensou. Certamente era outra coisa, afinal, quem se esconde não quer
ser achado. E o relógio emitiu ruídos naquele tempo de silêncio pra que alguém
o percebesse. Mas pensando bem, ele nunca parou de emitir seu ruído, ele só foi
notado porque o silêncio foi total. Se ela era o relógio, então estava no mundo
pedindo que alguém a notasse.
Ficou
um pouco triste.
No
caminho, uma mensagem de celular. Era ele. O homem supostamente perfeito, ou
quase isso, querendo sair. Deixou pra responder mais tarde, já havia chegado no
consultório do terapeuta.
Lá
estava ele com seu bloco, e sua mesma camisa xadrez.
Sinalizou
para que sentasse.
Estava
um pouco ofegante, fazia muito calor lá fora.
Ela
estava com a história do relógio na cabeça, mas não sabia se falava ou não. Ou
se falava da mensagem no celular.
-
Recebi uma mensagem dele no celular, quando estava chegando aqui.
Disse,
rapidamente.
Ele
quis ver a mensagem.
-
Não fique com vergonha, é mensagem pornô?
-
Nã... não!
-
Então me dá aqui esse celular.
Ela
ficou envergonhada, porque sua tela de fundo era uma imagem de George Clooney
sem camisa. Ele olhou a imagem.
“Certeza
que está me analisando por isso”, pensou.
Até
que ele encontrou a mensagem. Ele leu, aparentemente mais de uma vez, pela
demora, porque era uma mensagem curtíssima. E lhe estendeu o celular de volta.
-
Leia pra mim, em voz alta.
Ela
achou aquilo estranhíssimo, ele sabia ler, obviamente. Seria algum tipo de
teste? Mas o fez, inconformada.
“Oi,
tudo bem? Só queria dizer que pensei em você hoje, e se não quer sair novamente
comigo. Qualquer coisa me avisa.”
Pronto.
Leu a mensagem, lembrando-se das aulas de oratória que fez na época da
faculdade. Meio que imitou voz de locutora, o que não pareceu impressionar nada
o terapeuta. Sentiu-se uma idiota.
Longo
silêncio.
Pareceu
que ele estava deixando espaço para ela pensar no que a mensagem significava.
Ela
falou sobre mensagens enviadas, mensagens não respondidas, e do quanto se
sentiu idiota em muitas ocasiões, e o quanto isso a bloqueava.
Silêncio
breve.
-
Ouça.
-
O quê? – perguntou ela.
-
Percebe o som do relógio?
-
Humm... não.
-
Pois é, a pilha dele acabou. Nunca ninguém vai achá-lo se não for trocada, a
não ser eu. Mas não vou trocar.
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O Amor na Terapia - Notas de Terapia: Sessão 2
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terça-feira, 7 de outubro de 2014
O Amor na Terapia - Sessão 2: Os pedaços que ainda não foram quebrados
Na
semana seguinte ela ainda estava engasgada com o comportamento do terapeuta.
Era inadmissível aquele homem julgá-la assim, numa lavagem a seco. Ele nem a
conhecia.
Mas
por uns momentos pensou que realmente as pessoas devem procurá-lo apenas por
recalque, coração quebrado, essas coisas. Por isso ele tratou logo de
perguntar.
Ficou
chateada por ele sugerir que, de uma forma ou de outra, seu coração seria
fragmentado pelos caminhos inevitáveis do amor. Como se toda história
terminasse num beco sem saída.
“Talvez
termine.”
Ele
já estava sentado, segurando o seu bloquinho.
“Talvez
ele fique escrevendo a lista do supermercado, ou fazendo uma lista com nomes
estranhos de pacientes. Ou escrevendo bilhetes de amor.”
Riu
por dentro, ninguém escreve um email de amor, imagina uma carta. A sociedade
deve ter ficado analfabeta para certas situações.
Como
se a sessão anterior não tivesse acabado, ela respondeu a pergunta.
-
Nenhum dos dois. Eu... eu acho.
Ele
continuou em silêncio. Um silêncio de morte.
Era
um silêncio tão monstruosamente inconveniente que ela ficou constrangida. E por
ficar constrangida, se obrigou a falar.
Falou
desde o início de sua vida amorosa. Que era, na verdade, bastante recente. E
isso lhe doía, porque havia muitas lacunas. E falou que das experiências que
teve, nenhuma tinha sido muito profunda. Mas mentia sempre que alguém lhe
perguntava. Porém não disse sobre a parte da mentira.
Mas
pensou em mentir para o terapeuta. Só que ele tinha olhos de quem lê
pensamentos. Talvez até lesse. Ele tinha um jeito de olhar que era como:
“vamos, fala mais, eu sei que tem mais coisa aí dentro.”
Ela
não queria falar mais. Nem era porque talvez tivesse problemas demais. Estava muito
envergonhada.
O
seu silêncio possibilitou um rio de pequenos ruídos tomar conta do ambiente.
Ouviu o quase silencioso pigarro na garganta do terapeuta. Talvez ele fumasse.
Ou estivesse gripado. Ouviu o barulho do toque silencioso do seu celular no
fundo da bolsa. Percebeu que havia um relógio naquela sala, mas não havia
nenhum ao alcance de seus olhos. Talvez estivesse em uma gaveta. Ouviu o vento
uivando baixinho na fresta da janela. Ouviu o som da sua própria amargura.
Sim,
porque percebeu que era, no fundo, uma mulher amarga. Não pela ausência de um
currículo amoroso maior, mas por ser mais uma personagem entre tantos.
E
ele então lhe disse:
-
Você está se vitimizando. Você é uma quase frouxa. Só não é mais porque teve
cara de falar sobre isso. Sabe esse relógio que você ouviu, mas não viu? Esse
relógio é você. Até semana que vem.
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O Amor na Terapia - Notas de Terapia: Sessão 1
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segunda-feira, 6 de outubro de 2014
O Amor na Terapia - Sessão 1: Conte-me os seus problemas
Ela
sempre achou que terapia fosse coisa de gente desocupada. Um desses
preconceitos sem fundamento.
Porém
várias amigas estavam fazendo, e comentando, tanto que nas rodinhas de bares
esse era o assunto principal.
-
Ai troquei o terapeuta!
-
Meninas, eu estou tãããão melhor...
-
Ai me atrasei porque estava na terapia!
E
numa dessas, ela encontrou-se numa situação atípica. Depois de muito tempo
solteira, havia conhecido um homem.
Bonito,
falante, culturalmente avançado e o melhor de tudo: hétero.
Mas
ela não estava sabendo lidar com algo que, aparentemente, estava funcionando.
As
cadeias que se interligam e formam a química estavam ativadas. Ele a queria.
E
agora?
Ela
entrou em crise, porque achou que estava em uma pegadinha desses programas de
televisão. E depois de falar para suas amigas sobre o assunto, todas foram
unânimes:
-
Marque uma hora com o nosso terapeuta!
Lá
se foi.
No
dia marcado chegou meia hora antes. A saleta de espera estava adornada de forma
quase espírita; tudo branco. Havia dois sofás, um bebedouro e a mesinha da
secretária.
Uma
senhora simpática.
Na
parede, quadros que eram reproduções de pintores famosos. Esperou ver uma foto
de Freud. Mas nada. Ficou frustrada.
Era
estranho sentar-se diante de um estranho e admitir que tinha problemas, quando
na verdade não achava que tinha.
Talvez
tivesse.
Ele
já estava sentado em sua poltrona quando foi chamada para entrar. A sala era o
oposto da anterior: ambiente aconchegante, papel de parede com flores miúdas, uma
pequena luminária verde próximo da porta, adornando a saleta que mais parecia uma
sala de estar decorada por essas senhoras da década de 50.
Ele
tinha os cabelos um pouco revoltos, óculos de armação grossa e camisa xadrez.
Não
tinha divã, ficou triste. E frustrada de novo.
Ele
indicou a poltrona na sua frente.
Ela
se sentou. Usava uma blusa de manga princesa e cabelos soltos. Estava
desconcertada.
-
Conte-me seus problemas.
“What?”
Achou
meio invasivo, direto demais. Sentiu um tiro no peito.
Achou
que ele fosse falar um pouco sobre o seu método, e principalmente, fazê-la
pensar que não tinha de fato problemas. Apenas pontos para ajustar. Mas não.
E
ele foi ainda mais incisivo numa ferida que ela nem sabia estar aberta.
-
Você veio por duas razões: ou partiram seu coração ou ainda vão partir.
PAH.
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quarta-feira, 1 de outubro de 2014
O Amor na Terapia - Estreia 6/10
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