quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Amores WI-FI - Temporada 4 Episódio 8 - “Não foi assim que imaginei”







Final de ano, todo mundo fazendo as falsas resoluções e pensando na vida, brincando de amigo oculto... Tina começou a fazer um relatório mensal do seu 2014, e só pensou em uma coisa: “QUERIA ESTAR MORTA”.

Na verdade teve muitos momentos importantes para destacar no seu documento. Por exemplo, a reorganização interna de sua empresa (no caso, ela mesma, porque Tina sempre fora uma bagunça completa), o estreitamento de sua relação com Bia e Marcela e o reencontro com Rafael.

“Não foi assim que imaginei”, pensou, olhando no espelho, o seu verdadeiro psicólogo. Adorava refletir (sem trocadilhos) diante do espelho.

Imaginou um ano bem pior, mas não imagino um final tão... morno. Estava se sentindo aquele peru de Natal retirado do forno antes da hora. A cidra que não deu tempo de gelar. O abacaxi com casca.

Não teve tempo de fazer mais.

Não teve tempo de ajeitar as coisas com Rafael.

Naquela manhã, ele já estava na cozinha quando Tina acordou. Ele sempre acordava depois, Rafael era preguiçoso.

Mas ele estava lá, bebendo uma xícara de café preto em silêncio.

- Eu sei.

Falou Tina, antecipando sua resposta para a pergunta que Rafael faria: “Vamos conversar?”.


***


“Não foi assim que imaginei”, disse Marcela em voz alta, fazendo uma listinha do que precisava fazer em 2015.

O que fazer em 2014 2015:
- Repensar o trabalho
- Aprender coisas novas
- Viajar mais
- Fazer exercícios físicos
- Amar alguém

Realmente não foi assim que imaginou. Pois apenas riscou o ano na listinha anterior. Ou seja, não fez nada.

Marcela até viajou. Mas foi uma viagem para conhecer um homem, o qual ficou subentendido que seria apenas seu amigo.

Marcela não se matriculou nem ao menos em uma academia. Não repensou o seu emprego, e nem aprendeu nada de diferente.

Ou melhor, talvez tenha aprendido algo. A não ser mais trouxa.

Não dava mais tempo de passar o final de ano acompanhada, para, ao menos, evitar explicar para cada familiar sua situação quando alguém perguntasse: “E os namoradinhos?”.

Iria responder: “mandei pastar, to pegando mulher e transportando carga pelo Brasil com meu Scania”.

Mas ficaria quieta.


***


Bia, ainda deitada na cama olhando a timeline do Twitter, como fazia sempre, pensava no seu ano de 2014.

Abriu um sorriso, secou uma lágrima e disse: “QUE ANO DE MERDA”.

Ia tuitar isso, mas ao menos três usuários já tinham tuitado a mesma coisa. Certamente estava nos trending topics.

Sim, seu ano foi uma bosta, seu caderninho de decepções estava lotado. Quase um volume da Barsa.

Mas agora, olhando para mais uma trufinha que ganhou do menino no último encontro, quase rompendo a síndrome maldita que assolou sua vida amorosa durante to do o ano (ok, e durante boa parte da sua vida também), achou que o ano não foi tão ruim assim.

@Bia o ano não foi tão ruim assim :)

Tuitou. E só serviu para ser xingada por um bando de seguidores recalcados.


***


Tina sentou-se e pegou um pouco de café. Nem estava afim de beber café, mas era como se pudesse retardar a conversa com Rafael.

Ele mostrou-se extremamente chateado. Mas parecia ser com ele mesmo.

Durante os 10 longos minutos que durou a conversa ele falou sobre muitas coisas. Falou sobre a adolescência, falou sobre o reencontro, sobre o que sentia por ela. E falou que o alarme falso da gravidez havia mexido muito com ele.

- Mas Rafael, eu que devia ficar mais mexida. E mesmo você estando mexido, não há motivos para isso tudo.

- Só preciso de um tempo.

Falou em tempo, Tina entrou num daqueles flaskbacks que há muito não tinha.

Tina se enxergou no pátio do colégio. Estava conversando com uma amiga, quando viu Rafael, antes mesmo que pudesse pensar em tê-lo como ~objeto~ de desejo, conversando com a sua então atual namoradinha.

Ela falava que havia perdido o LP do Bom Jovi que ele havia emprestado para ela. E Rafael, visivelmente atormentado, disse: “Preciso de um tempo”.

Tina voltou do Flashback.


Diante daquilo, percebeu que Rafael nunca soubera lidar com nenhum tipo de problema. Assim que retornou do flashback, Rafael já havia saído de casa. Pegou algumas coisas, e deduziu que ficaria fora por alguns dias. Talvez até algumas semanas.

Relembrando seu ano e nas pessoas que faziam listinhas, pôde realmente concluir:


“Não foi assim que imaginei”.

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